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Crise do capitalismo aponta “crise da modernidade”, afirmam cientistas sociais

Posted on 16 de julho de 2016 Comentários desativados

No primeiro dia de discussões no Congresso, um ataque terrorista na França. No segundo, um golpe na Turquia: as tensões mundiais estão cada vez mais presentes e apontam para uma crise geral. O contexto político, econômico e social da crise mundial foi o foco da discussão do Grupo Processos de Hegemonia e Contra-Hegemonia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, no sábado, 16, no Instituto de Geociências.

Participaram da mesa os professores Jorge Almeida, Jorge Nóvoa e Luiz Filgueiras, com a mediação do professor Jair Batista, do departamento de sociologia da UFBA. Os palestrantes discorreram sobre o fato de “as várias crises do capital” confluírem para uma desestrutura em vários níveis, de proporção global. “Vivemos uma crise econômica, financeira, energética, cultural, política, de hegemonia e do Estado”, explicou Jorge Almeida, professor de ciência política da UFBA.

Essa crise, na opinião do professor do departamento de sociologia Jorge Nóvoa, “não é apenas uma crise superestrutural do capitalismo, mas uma crise da modernidade”. Em sua análise, o cerne da questão é a impossibilidade do capital de se reproduzir ao infinito. O capitalismo, assim, estaria em decadência – o que não significaria, no entanto, um pretenso ressurgimento do socialismo.

Historicamente, o modelo capitalista foi marcado por crises cíclicas e, para o professor do curso de economia da UFBA, Luiz Filgueiras, “a solução que o capitalismo dá para suas crises é sempre momentânea”. Diversos fatores resultariam na generalização da desordem, como o imobilismo da classe trabalhadora, fruto da individualização e passividade do homem contemporâneo. “Não há possibilidade de ter uma solução dentro do atual padrão de desenvolvimento capitalista”, ressalta o professor. Porém, para os palestrantes, o socialismo só seria uma realidade plausível se suas ideias originais fossem seguidas, alertando a população da deturpação na execução na antiga União Soviética.

A crise impacta diretamente na democracia e em questões sociais, mas é resultado da lógica de organização da própria sociedade. Luiz Filgueiras completa: “as forças sociais e políticas que podem se contrapor a essa lógica financeira do capital não são fortes o suficiente do ponto de vista da ação política prática para colocar uma proposta alternativa. A consciência dessas forças faz o padrão de desenvolvimento em crise não avançar.”

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